Sep 19, 2009

Elementar meu caro Watson - Parte II

Já era tarde, podendo-se ver o sol se por ao oeste. Um homem velho, com cabelos e longa barba brancas, encontrava-se sentado em uma velha cadeira de balanço de frente para a lareira. À sua direita, um pouco mais longe, Paul permanecia em pé, também de frente para a lareira. Nada se ouvia além do som da velha cadeira e das brasas do fogo dançando ao longo dos troncos. O velho homem então começou a falar:

- Vamos ficar assim até o fim do dia? Ou vai me dizer para que me chamou? - O velho não se fazia de educado, nem se importava com isso. - E apague esse cachimbo!
- Tudo bem... - Paul largou o cachimbo em cima de uma mesa de centro feita de carvalho - Você já deve saber que ele me procurou, certo? - Paul se referia a Fran Schulz.
- Sim, eu fiquei sabendo... Mas você acha que já está pronto para isso? - O velho, que até aquele momento lia o jornal, guardou-o e cruzou os braços.
- Eu tive bastante tempo para pensar durante os dois anos que passei na América. - Paul sentou-se em uma poltrona xadrez que estava à sua frente. Apesar de velha, era confortável e guardava muitas lembranças. - Meus sonhos tem me contado... tem me contado que devo continuar. Os sonhos falam com a gente sabe, David... - Os olhos de Paul se fixavam nas brasas que pulavam do fogo, como se tentassem fugir daquele lugar quente.
- Você nunca mais foi o mesmo depois daquele dia. Você talvez nunca se recupere de seus ferimentos. - David tinha os olhos bem fechados, isso o ajudava a pensar. Durante alguns momentos um silêncio mórbido ocupou o recinto. - Talvez os sonhos realmente falem conosco, talvez você deveria se esquecer dela...
- Nunca! - Paul rapidamente se levantou e encarou David. Ao se levantar bateu na mesa de centro, que derrubou seu cachimbo no chão. - Isso seria pior que traição! - A respiração de Paul era rápida, mas lentamente ele foi se acalmando e novamente se sentou na poltrona. O cachimbo permanecia no chão. - No meu sonho ela me dizia que em certas ocasiões exceções deveriam ser feitas. Ela me dize que em certas ocasiões a justiça é feita com as próprias mãos. - Paul fechou o punho com toda sua força. Ao abri-lo era possível ver que pequenos cortes internos.
- Você mudou muito Paul. Apenas não sei se para melhor ou para pior. Não sou eu que vou dizer o que você deve fazer ou não fazer, mas uma coisa eu sei, não deixe seus sentimentos o levarem, você pode acabar se perdendo. - David se levantou e foi para a cozinha, diretamente atrás deles. Ele tirou um pouco de água quente que estava em um bule e colocou em uma delicada e velha xícara de porcelana. Enquanto voltava para a sala, conseguiu ver Paul tacar seu cachimbo na lareira. - O que você está fazendo!
- Eu já decidi, David. - Não foi necessário pronunciar mais nenhuma palavra, ambos sabiam a resposta. David deixou a xícara no apoio acima da lareira e se dirigiu para a porta.
- Eu sempre serei seu amigo e confidente, Paul. Faça o que deve fazer... - Ele abriu a porta e então a fechou silenciosamente, como a quem sai de um funeral. Naquela noite seus sonhos também falariam com ele.

Após a saída de David, Paul olhou para seu antigo relógio, herdado de seu avô. Já eram oito horas da noite. Relutante, Paul se dirigiu para a janela ao lado da porta pela qual David havia saído. "Uma noite sem estrelas é um mau sinal". Paul foi até a cozinha e abriu um dos armários que se encontravam acima da pia. Dentro não havia muita coisa, mas entre o que havia estava lá uma garrafa com o rótulo "Black Bottle". Paul pegou tal garrafa de whisky e rapidamente encheu um pequeno copo, que estava na pia esperando para ser lavado. Com o copo em mãos, e após guardar a garrafa escura, Paul pegou seu telefone e lentamente apertou os dígitos correspondentes ao do telefone de Fran:

- Aqui é a mansão do sr. Schulz, quem deseja falar com ele? - Era um dos vários empregados de Fran que havia atendido a ligação. Sua voz parecia artificial, como se alguém o tivesse programado para sempre falar a mesma coisa várias vezes.
- Aqui é o detetive particular Paul Tailor, Fran pediu que eu ligasse. - Assim que terminou a frase Paul tomou a dose inteira do copo em apenas um gole. A bebida queimou sua garganta à medida que descia. Isso era o de menor importância para ele.
- Espere um momento, por favor. - Apesar do som estar abafado, era possível ouvir os passos do mordomo se afastando para chamar seu amo. Paul pensou em beber mais um pouco do whisky, mas tinha medo de demorar mais do que o necessário e acabar deixando o telefone mudo do seu lado. - Olá! - Era Fran.
- Amanhã estarei indo até sua mansão. - Paul não costumava ficar nervoso durante uma conversa, mas ele não estava acostumado com o telefone, algo tão impessoal, frio.
- Ótimo! A carruagem estará aí quando o sol estiver no seu ponto mais alto! Tente ter uma boa noite de sono. - A voz de Fran no telefone era mais suave, não transmitia sua essência sombria. "Pelo menos o telefone tinha uma vantagem".
- ... - Sem nada dizer Paul desligou o telefone e se dirigiu novamente para a cozinha com seu copo em mãos.

Durante horas Paul permaneceu sentado em sua velha poltrona com garrafa e copo em mãos, fixamente olhando para um quadro acima da lareira. No quadro estavam representadas duas pessoas, um casal, de mãos dadas e sorrindo. Sempre que Paul fechava seus olhos essa imagem vinha à sua mente, atormentado-o. Enquanto olhava para a pintura virou a garrafa para encher o copo novamente e levou o copo a boca. Foi então que notou que nada entrava em sua boca e queimava sua garganta. Paul olhou para a garrafa e viu que sobravam apenas algumas gotas. Ele levantou-se e olhou para o relógio. Ele não conseguiu ver que horas eram, via apenas seu rosto, vermelho e suado como o de Igor Zarckowisk. Seu próprio reflexo ria dele, gozava de sua situação. Cego, Paul jogou o copo com sua mão direita no vidro do relógio. Cacos de vidro voaram pela sala.
Ele parecia estar cansado, como se tivesse acabado de correr por horas, seu coração batia rapidamente e sentia dor ao respirar. Paul deixou a garrafa cair no chão, fazendo um grande barulho, mas sem quebrar-se. Ainda vestido com um roupão, foi até seu quarto, à sua esquerda, e apagou todas as luzes. No escuro, deitou-se em sua cama de casal. Seus olhos permaneceram abertos pelo que pareceu ser uma eternidade, como se tivesse medo de que após dormir nunca mais seria o mesmo. Não se sabe em que momento, mas após algum tempo ele, lentamente, fechou seus olhos e dormiu.


Lentamente os olhos de Paul se abriram, um depois o outro. O quarto se iluminava alegremente com o bater do sol. Paul olhou à sua volta e por alguns instantes permaneceu parado, admirando a beleza daquele dia. Parecia que as coisas estavam voltando ao normal para ele, por alguns instantes ele até cogitou ficar em casa descansando e tomar um pouco de chá, mas logo se lembrou que estava marcado para ir até a mansão de Schulz. Um pouco mais desanimado, Paul tentou-se levantar da cama. Nada. Paul usou um pouco mais de força para se levantar e nada, ele apenas balançava na cama como uma tartaruga virada de costas. Paul olhou por debaixo da coberta e seu coração quase parou, para novamente acelerar. Seu corpo era semelhante ao de uma barata! Seus braços haviam se tornado finas pernas, aparecendo outras ao longo de seu corpo segmentado!
Um bater na porta havia então tirado sua atenção de seu novo corpo. Pela janela do quarto era possível ver uma luxuosa carruagem em frente de sua casa, era o mordomo de Schulz que batia à porta. Paul tentou gritar "Espere mais um pouco!" mas nada saiu de sua boca. Do lado de fora, o mordomo se impacientava. Paul sabia que era uma questão de alguns minutos para que ele abrisse a porta e o visse naquele estado. Usando toda sua força, Paul conseguiu virar para o lado e cair no chão de costas (ou o que seriam suas costas) para cima. Novamente barulho da porta, "Está tudo bem aí?". Ao cair, Paul tentou se segurar nas cortinas, que então se fecharam. O quarto era agora escuro e sombrio. Por estar tão próximo do chão, tudo era mais alto e assustador para ele, até mesmo resquícios de sua sombra o assustava.
Uma última batida na porta e ela se abriu, Paul havia esquecido de fechá-la na outra noite. Paul, com medo, permaneceu virado para a parede, lado contrário da porta, mas era possível ouvir os passos do mordomo se aproximando do quarto:

- Exatamente como eu suspeitava, seu verme! Sua barata! - A voz vinha da porta e era muito semelhante à de Schulz.
- ... - Paul tentava pedir ajuda, mas era inútil. Ao virar-se para ver quem era, viu um rosto deformado, que parecia ser gigantesco. A luz que vinha da porta atrás, permitia que as feições mais horrendas daquele rosto tomasse destaque no quarto escuro e frio de Paul.
- Sabe o que fazemos com baratas aqui? Esmagamos elas!

O pé daquele ser horrendo levantou-se e adquiriu um tamanho tão grande quanto o rosto, tão grande, até mesmo, quanto o corpo de Paul. Tailor tentou correr para longe, mas por mais que mexesse suas patas grudentas, a imagem, o monstro, continuava do seu lado, com o pé cada vez mais próximo. Em um piscar de olhos, o sapato caiu e atingiu Paul como uma bala de canhão chegando ao fim de sua trajetória. Tudo era negro, nada se ouvia, nada se dizia, apenas o vazio.

- Ah! - Paul levantou a cabeça e seu torso rapidamente. Ele bufava e suava frio. Ele colocou seus braços na frente de seus olhos. Apesar da escuridão ele reconheceu membros humanos. Aos poucos sua respiração voltou ao normal. Ele não conseguiu dormir o resto da noite

May 15, 2009

Todos são iguais, mas alguns são mais iguais que outros

Já fazia tempo que eu não pensava nessa frase. Uma das poucas merecedoras de permanecerem em minha valiosa memória. Não é apenas cômica, algo muito importante, como também possui um significado imensamente amplo e verdadeiro. Mas além de frases com significados importantes, também vi algumas apenas engraçadas, de uma maneira estranha, tal como "Coisas estranhas começar a acontecer à mente de um homem, após ter sido morto pela quadragésima vez". A pessoa que pensou nessa frase realmente é digna de ser homenageada. Todas essas velhas memórias voltando à tona e novas sendo criadas, tudo pelo fato de ter visitado um sebo. Alguns livros são adquiridos apenas pelo significado que possuem, mas é claro que ler eles pode ser interessante.

Nada como ter um objeto, seja um livro ou não, para se lembrar de momentos nostálgicos, bons ou não. À medida que envelheço para meus 19 anos de vida, vejo o que aconteceu na minha vida, já pensando em como vou querer ficar e morrer ao chegar aos 70, ou mais, quem sabe? Imagine-se reclamando de como a vida era boa quando você era uma criança, de como era possível comprar uma caixa de chicletes com apenas uma moeda, bons tempos... Talvez o único momento em que podemos realmente dizer que somos felizes é quando vemos pelo que passamos, agradecemos aquilo que nos levou a ser do jeito que somos, a não ser que você seja uma daquelas pessoas psicopatas, então acho que seria melhor nem pensar nisso.

May 11, 2009

Casa dos Espelhos

Pra quem já assistiu ao seriado The Mentalist, com certeza sabe o que estou prestes a fazer, algo excepcional de minha parte, vou analisar você, meu leitor, e dizer sua personalidade! As pessoas dizem que analisamos o autor ao ler uma obra sua, então que tal inverter um pouco as coisas e deixar o autor, através de sua obra, analisar o leitor? Talvez não funcione, talvez funcione, nunca se sabe até tentar, não é mesmo leitor? Se você ainda está aqui então é por que você quer me dar uma chance e isso já diz muito de você.

Bem, deixe-me apontar meu lápis imaginário e começar a idealizar você. Bem, primeiro eu posso dizer que você não tem muito o que fazer se está lendo um texto meu, algo que nem eu mesmo gosto de fazer. Você é um tanto piedoso com os outros à sua volta, dando-lhes uma chance, sempre dizendo sim à suas súplicas. Mas isso se deve ao fato de não ter coragem de dizer não. Com medo de ferir o sentimento dos outros, assim como ferem com o seu, tenta sempre apoiar e dizer sim publicamente aos outros, mas lá dentro sabe que aquilo é uma perda de tempo, que não vai para lugar algum. Isso acontece agora mesmo com esse texto! Mas continuemos!

Quando não está dizendo sim para os outros, está sempre fazendo análises dos atos e crenças dos outros, sempre se perguntando o que leva uma pessoa a fazer ou ser aquilo? Essa análise desvia a atenção de si mesmo, joga nos outros aquilo que é um defeito em você para deixar seu consciente um pouco mais feliz consigo mesmo. Mas é claro que você nunca deixa de pensar no que os outros pensam de você, mesmo tentando não demonstrar isso. Sempre que alguma pessoa diz que está errado com você, seja nos moldes da sociedade atual, seja apenas algo que não agrada aquela pessoa, você simplesmente responde que você é assim e pretende continuar dessa maneira. Logo após dizer tal frase volta-se para si mesmo e tenta descobrir o que está de errado consigo mesmo, se preocupa quando alguém olha para você de maneira estranha, como se você não pertence-se àquele grupo.

Ademais - sim, ainda tem um pouco mais caro leitor desajustado -, sempre cria baixas espectativas, para assim não se desapontar quando algo falhar, seja uma simples prova ou uma competição que poderia mudar por completo sua vida. Seus sonhos são apenas sonhos, sabe que não irão se realizar e não se importa, fica feliz ao saber que o mesmo acontece com o resto da população.

Em suma, você é uma farsa! Uma grande falácia no rosto do mundo! Esconde-se atrás dos outros para se sentir melhor. Tenta ajudar mesmo não querendo. Reclama das idiossincrasias dos outros mesmo sabendo ter as suas. Por fim não espera nada de si mesmo ou dos outros. E consegui descobrir isso tudo sem nem mesmo ver você ou qualquer foto sua. Eu acho que eu deveria ensinar aos escritores daquele seriado o que fazer, porque eu realmente sou ótimo nisso!

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Nota!: Não, não estou falando de você leitor, se é que você existe, mas sim de mim mesmo. Se essa mensagem não está clara no meu texto, então falhei como um escritor e por tal devo ser punido! Não com a morte, ou prisão, na verdade, esqueça a punição, vou apenas escrever outro texto.

May 1, 2009

Go to Hell

Não sei o que aconteceu,
Podem ter sido vocês,
Pode ter sido eu.
Mas, Por mais estranho que pareça
Deus um dia apareceu,
E me disse calmamente:
Continue sendo ateu
Pois o que realmente conta
É como você viveu
Não no que acreditou.
Cai da cama e a fome bateu.

Apr 2, 2009

No ar

No ar

Ele olhou atentamente para o final do corredor onde a curva acontecia. O corredor, frio e úmido, passava a sensação de aprisionamento. Não havia janelas nas paredes de pedra. Através das grades via-se a leve iluminação de uma tocha se aproximando. Seus lábios, secos, tentavam formar um sorriso, após cinco anos de dor.

O som das botas ecoavam pelo corredor e ficavam cada vez mais alto. Um novo som, diferente do gotejar com o qual estava tão acostumado, fez seus tímpanos latejarem, não de dor, mas de outro sentimento. Ele saiu da grade presente na porta de sua cela e dirigiu-se para o canto no qual dormia, suas costas estalaram-se ao curvar. Ele tentava se lembrar do cheiro dos campos de centeio, o toque de outro ser humano, o gosto da água doce dos rios cristalinos, a beleza dos pássaros ao amanhecer. Já fazia muito tempo que ele esperava por este momento, cinco anos preso em um cubículo escuro e imundo, abandonado pelo mundo.

O barulho do girar da chave o fez lembrar de onde estava. Fazendo esforço ele levantou-se e se dirigiu lentamente até a porta, agora aberta e parou. Sua visão do corredor era mais ampla, clara. A luz da tocha ao seu lado fazia seus olhos arderem. Fazia tempo que estava dentro daquele lugar escuro, privado de qualquer fonte de luz externa. Lentamente ele se acostumou com a presença da tocha. Ele olhou para o lado e conseguiu, pela primeira vez em tantos anos, ver aquele que o havia alimentado e, agora, libertado. O guarda olhava para a parede do outro lado e permanecia calado. Por algum tempo o prisioneiro permaneceu parado, olhando para o fim do corredor. Ele então moveu, lentamente, seu pé direito para frente. Seus ossos estalavam e seus músculos, atrofiados, tinham dificuldade para segurar o resto de seu corpo. Durante um momento de vacilo, o joelho esquerdo dobrou-se pelo peso de seu corpo. O guarda permaneceu parado. Apoiando nas duas mãos, o prisioneiro levantou-se. Aos poucos ele foi se acostumando com o peso absurdamente leve de seu corpo. Durante o processo, ele observou seu torso e pernas, magras, sujas, apodrecidas pelo tempo. Ele andou, seguido pelo guarda, lentamente até o final do corredor, onde a curva acontecia.

Após a curva, que tanto observara, que tanto meticulara, possuía algo pelo qual não esperava. Depois de um certo tempo isolado do mundo, é comum, para que não enlouqueça, que o preso comece a indagar sobre o que nunca indagara, é isso o que acontece quando se tem muito tempo livre. Primeiro, ele se perguntou como as coisas deveriam estar do lado de fora - nada boas sem ele, pensou. Ele então passou a se torturar por não saber qual era o nome do guarda que o havia alimentado e agora o levava para seu destino - Evandro talvez? No final, ele fixou sua mente no que havia no final do corredor. Para a pergunta final, que costumava fazer a si mesmo ao acordar e antes de dormir, inúmeras respostas viam a cabeça, mas nenhuma delas representava o que ele via. Uma singela porta, feita com um estranho material, cinza e brilhante, mostrava o reflexo de sua face. Ele não reconheceu de quem era aquele reflexo. Não porque estava suja, mas parecia ser outra pessoa. Ele levou suas mãos à sua face, o reflexo mimetizou seus movimentos. Sua pele ficou pálida, assim como a do reflexo. As mãos do guarda chegaram até a porta, mas não eram as mesmas mão de antes, estas usavam uma longa luva branca, feita com um estranho material. Ao abrir a porta, um luz forte cegou o prisioneiro.

O quarto era grande e iluminado, as paredes eram brancas, assim como a única cadeira e uma cama. Ao lado da cama, um dispositivo estranho, mágico se possível, mostrando em um tela de vidro linhas que faziam desenhos de montanhas e então desapareciam, em um ciclo que nunca parava. A máquina se ligava à pessoa que estava na cama. O ser humano deitado parecia estar em sono profundo, sem nem ao menos se mexer, a não ser pelo seu peito, que permanecia em simetria com a máquina ao seu lado. O prisioneiro olhou ao seu redor novamente e notou que o guarda havia sumido, a porta havia se fechado. Seu reflexo continuava lá, imitando seus movimentos no corpo de outro. Ele voltou-se para a cama e olhou fixamente no homem nela deitado. Ao chegar mais perto ele pode notar que o homem deitado era o mesmo que imitava seus movimentos na porta. O prisioneiro afastou-se bruscamente do homem e caiu na cadeira. A sala ao seu redor começou a girar, quase como se estivesse em um redemoinho. Seu rosto, cada vez mais pálido. Enquanto girava, ele perdia o foco, sua visão embaçava. Antes de perder completamente a visão, ele ainda conseguiu ver várias pessoas entrando na sala, pela mesma porta que ele. Todas vestidas de branco. Sua visão embaçou até não conseguir ver mais. Tudo então ficou escuro e ele perdeu-se nessa escuridão.